O telefone toca. Na tela, aparece um número que parece pertencer ao banco onde você tem conta. A pessoa do outro lado conhece seu nome, fala sobre uma suposta movimentação suspeita e pede que você confirme algumas informações para evitar o bloqueio do acesso bancário.
A situação parece convincente, principalmente quando o número exibido é semelhante ao de uma instituição conhecida. Mas existe um problema: o número que aparece na tela nem sempre é suficiente para confirmar quem realmente está ligando.
Essa possibilidade está relacionada a uma prática conhecida como spoofing, utilizada para mascarar ou adulterar a identificação de chamadas. Dependendo da situação, o criminoso pode tentar se passar por um banco, uma empresa, um órgão público ou outra organização para conquistar a confiança da vítima.
Em outubro de 2026, o combate a esse problema ganhou um novo instrumento legal no Brasil. A Medida Provisória nº 1.396/2026 estabeleceu obrigações relacionadas à autenticação, à identificação e ao bloqueio de chamadas e mensagens nas redes de telecomunicações.
A proposta é dificultar a utilização das redes telefônicas para fraudes, melhorar a identificação de quem liga e permitir o bloqueio de determinadas comunicações irregulares.
Entretanto, existe um detalhe importante: a publicação da medida não significa que todos os celulares brasileiros passarão imediatamente a exibir chamadas verificadas ou que todos os golpes telefônicos deixarão de funcionar.
Para entender o que realmente muda, é necessário conhecer a tecnologia, as novas obrigações das operadoras e os cuidados que continuam dependendo do próprio consumidor.
O que é spoofing telefônico e como esse golpe funciona?
O spoofing telefônico é uma técnica de falsificação da identificação de origem de uma chamada. Em determinadas situações, ela permite que o número exibido no celular do destinatário seja diferente daquele que deveria identificar corretamente a origem da comunicação.
Na prática, o golpista tenta criar uma aparência de legitimidade antes mesmo de iniciar a conversa.
Imagine receber uma ligação que parece vir do atendimento de uma instituição financeira. O interlocutor afirma que houve uma compra suspeita e que precisa confirmar sua identidade. Em seguida, pede um código recebido por SMS ou orienta você a realizar uma operação no aplicativo bancário.
O número apresentado na tela pode ajudar a tornar a história convincente, mas não comprova que a pessoa esteja autorizada a solicitar essas informações.
É importante entender que o spoofing não é o mesmo que simplesmente ligar de um número desconhecido. A questão central é a adulteração da identificação da chamada, que pode dificultar o reconhecimento de sua verdadeira origem.
Por que os criminosos utilizam números falsificados?
O principal objetivo é explorar a confiança que as pessoas depositam em instituições conhecidas e em números que parecem familiares.
Uma ligação aparentemente originada de um banco, por exemplo, pode levar o consumidor a baixar a guarda. O mesmo pode acontecer com uma suposta central de atendimento, uma empresa de telefonia ou um órgão público.
Os criminosos também costumam combinar essa estratégia com outras técnicas de engenharia social, como mensagens alarmantes, ameaças de bloqueio de contas e solicitações de ações urgentes.
Em vez de depender exclusivamente de uma falha tecnológica, o golpe tenta influenciar o comportamento da vítima. A pessoa fica preocupada, acredita que precisa resolver o problema imediatamente e acaba fornecendo informações que normalmente protegeria.
Por isso, combater a falsificação de números é importante, mas não elimina a necessidade de verificar a legitimidade das solicitações recebidas por telefone.
O que muda com a Medida Provisória nº 1.396/2026?
A Medida Provisória nº 1.396, de 9 de outubro de 2026, foi publicada no Diário Oficial da União em 13 de outubro. Ela estabelece obrigações para as prestadoras de serviços de telecomunicações relacionadas à autenticação, à identificação e ao bloqueio de chamadas e mensagens.
A proposta distribui responsabilidades entre as diferentes etapas pelas quais uma chamada passa até chegar ao destinatário.
Antes, o combate ao problema já contava com medidas regulatórias da Anatel e soluções de autenticação em implantação. A nova medida acrescenta obrigações legais e prevê uma estrutura mais abrangente para verificar a origem das chamadas e restringir determinados usos abusivos das redes.
Entre os principais pontos estão:
- Autenticação das chamadas: a operadora responsável pela origem deverá autenticar as chamadas realizadas em sua rede.
- Preservação da autenticação: as prestadoras responsáveis pelo trânsito das chamadas deverão preservar as informações de autenticação durante o encaminhamento.
- Verificação antes da entrega: a operadora responsável por entregar a chamada ao destinatário deverá verificar sua autenticação, conforme as regras de implementação.
- Identificação de empresas: chamadas autenticadas originadas por pessoas jurídicas deverão apresentar o nome empresarial e o logotipo, quando houver, conforme as condições previstas na medida.
- Bloqueio de determinadas comunicações: a legislação prevê o bloqueio de chamadas não autenticadas, com exceções a serem estabelecidas pela Anatel, além de restrições para chamadas e mensagens que utilizem códigos de acesso em desacordo com as regras aplicáveis.
O objetivo é dificultar a utilização de números falsificados e tornar mais rastreável a origem das comunicações.
Como funcionará a identificação de chamadas empresariais?
A medida prevê a criação de uma base de dados centralizada de recursos de numeração, sob supervisão da Anatel.
Essa base deverá reunir informações necessárias à autenticação e à identificação das chamadas, incluindo o registro dos números telefônicos e de seus titulares. No caso de pessoas jurídicas, também poderá conter dados como nome empresarial, CNPJ e logotipo, conforme as regras aplicáveis.
A ideia é permitir que as informações utilizadas para identificar o chamador sejam vinculadas a registros apropriados, em vez de depender apenas do número apresentado na tela.
Isso pode ajudar o consumidor a distinguir uma ligação empresarial identificada de uma chamada cuja origem não foi adequadamente verificada.
Ainda assim, a tecnologia deve ser entendida como uma camada adicional de proteção. A identificação de uma empresa não significa que qualquer pedido feito durante a conversa seja automaticamente legítimo.
A implementação depende de procedimentos técnicos, integração entre sistemas e regulamentação específica.
Quando as novas regras começam a valer na prática?
Essa é uma das informações mais importantes para compreender a mudança.
A Medida Provisória entrou em vigor com sua publicação, mas o próprio texto prevê prazos diferentes para a exigibilidade de determinadas obrigações.
A Anatel recebeu prazo de 60 dias, contado da publicação, para editar ou alterar a regulamentação necessária à implementação das medidas.
Além disso, a legislação estabeleceu que determinadas obrigações relacionadas ao bloqueio de códigos de acesso irregulares e aos critérios de uso abusivo de chamadas seriam exigíveis em 30 dias da publicação.
Já as obrigações gerais de autenticação, bloqueio de chamadas não autenticadas, identificação empresarial e funcionamento da base centralizada dependem da entrada em vigor da regulamentação da Anatel e dos prazos de implementação que ela estabelecer.
Isso significa que não seria correto afirmar que todas as chamadas já estão sendo bloqueadas automaticamente ou que todos os aparelhos passaram a exibir informações completas sobre quem está ligando.
A implementação ocorre de maneira escalonada, e o funcionamento efetivo dos mecanismos depende das condições técnicas e regulatórias aplicáveis.
Por se tratar de uma medida provisória, o texto também está sujeito à tramitação legislativa e pode sofrer alterações. A íntegra do texto legal está disponível na seção de fontes e referências ao final deste artigo.
Como identificar uma chamada autenticada no celular?
A autenticação de chamadas não é uma ideia completamente nova no Brasil. A Anatel já vinha trabalhando na implementação de mecanismos que permitem verificar a origem das ligações e apresentar informações adicionais ao destinatário.
Uma dessas soluções é conhecida como Origem Verificada.
Em aparelhos e redes compatíveis, uma chamada autenticada pode apresentar elementos visuais que ajudam a reconhecer sua procedência. Dependendo da implementação, do sistema operacional e do dispositivo, a tela pode exibir o nome do chamador, um selo de autenticação, uma indicação de número validado ou outros dados de identificação.
Essas informações são diferentes do simples nome que o usuário salva manualmente na agenda de contatos.
Quando você cadastra um número como “Banco” ou “Operadora” na agenda, está apenas atribuindo um nome ao contato. Isso não significa que a origem de uma chamada recebida desse número tenha sido autenticada pela rede.
A identificação verificada, por outro lado, depende de mecanismos técnicos próprios e das informações disponibilizadas pelo sistema.
Meu celular precisa ser compatível com a tecnologia?
Sim, a disponibilidade dos elementos visuais depende de requisitos técnicos.
Segundo as orientações da Anatel sobre autenticação e identificação de chamadas, a experiência pode depender de um smartphone compatível, do suporte à tecnologia VoLTE, da configuração da operadora e da versão do sistema operacional.
O VoLTE, sigla para Voice over LTE, permite realizar chamadas de voz pela rede 4G. Ele é um dos requisitos técnicos considerados na solução de autenticação e identificação de chamadas descrita pela Agência.
Entretanto, ter um celular 4G ou 5G não garante, isoladamente, que todas as informações de identificação estarão disponíveis. O suporte precisa existir também na rede e na implementação utilizada pelas operadoras envolvidas.
Se o seu aparelho não exibir um selo de autenticação, isso não significa necessariamente que a chamada seja fraudulenta. A disponibilidade dos mecanismos ainda depende das condições de implantação.
Os requisitos e o funcionamento do sistema podem ser consultados na seção de fontes e referências ao final do artigo.
Uma chamada autenticada é sempre segura?
Não. Essa distinção é fundamental.
A autenticação ajuda a verificar a procedência da chamada e a reduzir a possibilidade de falsificação do número de origem. Ela não substitui a avaliação do conteúdo da conversa nem comprova que todas as solicitações feitas pelo interlocutor sejam legítimas.
Imagine que você receba uma chamada corretamente identificada de uma empresa com a qual mantém relacionamento. Mesmo assim, alguém pode tentar convencê-lo a realizar uma operação inadequada, fornecer informações desnecessárias ou seguir instruções que não deveriam ser solicitadas daquela maneira.
A tecnologia também não deve ser confundida com uma certificação universal de honestidade de quem está falando.
Por isso, mesmo diante de uma identificação aparentemente legítima, desconfie de pedidos que envolvam:
- Senhas de acesso a aplicativos bancários.
- Códigos de autenticação recebidos por SMS.
- Tokens de segurança ou códigos de uso único.
- Informações completas de cartões e credenciais.
- Transferências ou pagamentos para supostamente cancelar uma fraude.
- Instalação de aplicativos para permitir acesso remoto ao celular.
- Compartilhamento de tela durante uma ligação inesperada.
A melhor estratégia é combinar os recursos tecnológicos de autenticação com hábitos seguros de verificação.
Como se proteger de golpes por telefone em 2026
As novas regras podem melhorar a identificação de chamadas, mas os consumidores ainda precisam adotar medidas práticas para reduzir os riscos.
A boa notícia é que muitas delas não exigem aplicativos pagos nem conhecimentos técnicos avançados. O mais importante é evitar decisões precipitadas quando alguém tenta criar uma situação de urgência.
1. Desligue e entre em contato com a instituição por um canal oficial
Se alguém ligar afirmando que existe um problema com sua conta bancária, cartão ou cadastro, não precisa resolver tudo durante aquela conversa.
Encerre a ligação e procure o canal oficial da instituição por conta própria. Você pode utilizar o aplicativo que já conhece, o telefone impresso no cartão ou o endereço oficial digitado diretamente no navegador.
Evite utilizar números fornecidos pelo próprio interlocutor, links recebidos durante a chamada ou telefones apresentados em mensagens que você não solicitou.
Esse procedimento reduz a dependência das informações fornecidas por alguém cuja identidade ainda não foi confirmada.
2. Nunca informe códigos de segurança por pressão
Códigos temporários enviados por SMS, aplicativos autenticadores e mecanismos semelhantes podem ser utilizados para confirmar acessos ou autorizar operações.
Um golpista pode tentar convencê-lo de que precisa desse código para cancelar uma compra, bloquear uma conta ou validar sua identidade.
Não forneça códigos de autenticação a pessoas que ligam inesperadamente, especialmente quando a solicitação envolve uma suposta emergência.
Se tiver dúvidas sobre uma mensagem ou uma notificação recebida, abra diretamente o aplicativo oficial e verifique se existe alguma atividade que realmente exija sua atenção.
3. Desconfie de ameaças e prazos muito curtos
Golpes frequentemente exploram o medo de perder dinheiro, ter uma conta bloqueada ou sofrer alguma penalidade.
Frases como “você precisa resolver isso agora”, “não desligue” ou “não conte a ninguém” podem ser utilizadas para impedir que a vítima pense com calma e procure ajuda.
Uma instituição legítima pode entrar em contato para comunicar problemas, mas isso não significa que você deva executar imediatamente qualquer instrução recebida.
Interromper a conversa para verificar a informação por outro canal é uma atitude prudente, não um risco adicional.
4. Mantenha o celular e os aplicativos atualizados
As atualizações do sistema operacional e dos aplicativos podem corrigir vulnerabilidades, melhorar a compatibilidade e disponibilizar recursos de segurança.
Verifique regularmente se há atualizações para o Android ou iOS e mantenha os aplicativos instalados por fontes oficiais.
Também vale conferir se o recurso VoLTE está disponível e habilitado no aparelho, caso você queira utilizar os mecanismos de identificação de chamadas compatíveis com essa tecnologia.
Lembre-se, porém, de que manter o sistema atualizado não garante, por si só, a disponibilidade do selo de autenticação. O funcionamento depende de outros requisitos técnicos e da implementação pelas operadoras.
5. Utilize os recursos de identificação e bloqueio de spam disponíveis
Muitos smartphones oferecem mecanismos para identificar chamadas suspeitas, filtrar números conhecidos por realizar spam ou silenciar determinados tipos de ligação.
Esses recursos podem ajudar a reduzir interrupções e facilitar a identificação de padrões suspeitos.
No entanto, filtros de spam e autenticação de chamadas são mecanismos diferentes. Um filtro pode classificar uma ligação como suspeita com base em determinados sinais, enquanto a autenticação verifica informações técnicas sobre sua origem.
Nenhum dos dois deve ser tratado como garantia absoluta contra fraudes.
6. Evite instalar aplicativos indicados por desconhecidos
Outra estratégia utilizada em golpes telefônicos é convencer a vítima a instalar um aplicativo para receber suporte, corrigir um problema ou liberar uma operação.
Em algumas situações, o programa pode permitir acesso remoto ao dispositivo ou facilitar a visualização de informações que deveriam permanecer privadas.
Não instale aplicativos por orientação de uma pessoa que entrou em contato inesperadamente, especialmente se ela solicitar permissões de acessibilidade, compartilhamento de tela ou controle remoto.
Se precisar de suporte técnico, procure o site ou o aplicativo oficial da empresa e inicie o atendimento por conta própria.
Para aprofundar os cuidados com a proteção de informações pessoais, consulte as fontes e referências ao final deste artigo.
As operadoras poderão bloquear chamadas abusivas automaticamente?
A nova medida também trata de um problema diferente da falsificação de números: o uso abusivo das redes para realizar grandes volumes de chamadas.
O texto prevê o bloqueio, por 15 dias, da capacidade de originar chamadas de usuários que atendam cumulativamente a determinados critérios de volume e proporção de chamadas curtas.
Pelos critérios descritos na medida, a análise considera, no mesmo dia e no respectivo serviço, mais de mil chamadas por acesso ou mais de dez mil chamadas considerando todos os acessos atribuídos ao usuário, além de uma proporção igual ou superior a 85% de chamadas curtas.
Para essa finalidade, a definição de chamadas curtas inclui ligações não completadas, destinadas à caixa postal ou concluídas com duração de até seis segundos.
A medida também prevê exceções para chamadas realizadas por órgãos e entidades públicas e por prestadores de serviços de saúde, segurança pública e defesa civil no exercício de suas competências ou atividades.
Esses critérios não significam que qualquer pessoa que faça muitas ligações será automaticamente considerada golpista. A aplicação das regras depende dos requisitos previstos na legislação e dos procedimentos que a Anatel deverá regulamentar.
A proposta é restringir padrões de utilização abusiva da infraestrutura de telecomunicações, sem impedir indiscriminadamente as comunicações legítimas.
Além disso, o combate ao spoofing envolve outras medidas, como a rastreabilidade das chamadas e o bloqueio de tráfego irregular.
A Anatel já vinha adotando providências contra a falsificação da identificação de origem. Em setembro de 2026, a Agência anunciou medidas cautelares destinadas a identificar os responsáveis por chamadas com indícios de spoofing e interromper o encaminhamento do tráfego irregular. Os detalhes estão disponíveis na seção de fontes e referências ao final deste artigo.
Vale trocar de celular para ter mais segurança nas chamadas?
Não necessariamente. Antes de comprar outro aparelho, vale verificar se o seu celular atual oferece os recursos necessários, recebe atualizações de segurança e é compatível com as funcionalidades disponibilizadas pela sua operadora.
Se o aparelho estiver muito desatualizado ou não atender às suas necessidades, um modelo mais recente pode ser uma alternativa. Entretanto, a compra de um smartphone novo não garante, por si só, a identificação de todas as chamadas nem elimina o risco de golpes.
Para quem já está avaliando trocar de aparelho, existem modelos 5G que podem servir como ponto de partida para comparar recursos, suporte de software e compatibilidade.
Samsung Galaxy A56 5G
O Galaxy A56 5G é uma opção intermediária com conectividade 5G e suporte prolongado a atualizações anunciado pela Samsung. Antes da compra, confira a versão, a procedência, a garantia e as condições oferecidas pelo vendedor.
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Samsung Galaxy A36 5G
O Galaxy A36 5G também oferece conectividade 5G e uma política de atualizações anunciada pelo fabricante. Pode entrar na comparação de quem procura um aparelho intermediário, sem precisar investir necessariamente em um modelo premium.
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Motorola Edge 60 Fusion
O Motorola Edge 60 Fusion é outra alternativa com conectividade 5G. Ao comparar esse modelo com outros aparelhos, verifique a versão do sistema operacional, a política de atualizações e a compatibilidade com os recursos de voz oferecidos pela sua operadora.
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Importante: os três modelos são exemplos para comparação, não uma garantia de que a identificação autenticada estará disponível em qualquer rede. Confirme os requisitos com a operadora e verifique a disponibilidade, as especificações e as condições de compra antes de decidir.
Ao avaliar um smartphone, também é recomendável conferir sua homologação e a compatibilidade com os recursos de rede oferecidos pela operadora.
O que fazer se você receber uma ligação suspeita?
Se a chamada parecer fraudulenta, não forneça informações nem siga instruções que possam comprometer suas contas.
Se a pessoa afirmar que representa uma instituição, procure o canal oficial e confirme se existe realmente algum problema. Você também pode bloquear o número no aparelho, embora isso não impeça necessariamente que o mesmo responsável tente entrar em contato utilizando outro número.
Quando houver indícios de uso indevido dos mecanismos de autenticação, a Anatel orienta que o consumidor pode registrar uma denúncia no portal da Origem Verificada.
Também é possível consultar as orientações da Agência sobre chamadas abusivas e verificar os canais adequados para registrar uma reclamação.
Se você já compartilhou dados bancários, códigos de segurança ou informações de acesso, entre em contato com a instituição financeira por um canal oficial. Se houver suspeita de comprometimento da conta, peça orientações para bloquear acessos, revisar transações e proteger as credenciais.
Caso tenha ocorrido prejuízo financeiro, preserve mensagens, registros de chamadas, comprovantes e outras evidências disponíveis. Registre a ocorrência nos canais policiais apropriados e comunique a instituição envolvida.
Quanto mais cedo você agir, maiores serão as possibilidades de conter o problema e documentar o que aconteceu.
O que esperar da autenticação de chamadas daqui para frente?
A autenticação de chamadas representa um avanço importante porque procura enfrentar o problema na própria infraestrutura das telecomunicações, em vez de depender exclusivamente da reação do consumidor depois de receber uma ligação suspeita.
A combinação de autenticação, identificação, rastreabilidade e bloqueio pode dificultar o uso de números falsificados e ajudar a reduzir determinadas formas de abuso.
Entretanto, os resultados dependerão da implementação técnica, da regulamentação da Anatel, da cooperação entre as operadoras e da capacidade de adaptar os mecanismos a novas estratégias de fraude.
Também é importante reconhecer os limites da tecnologia. Criminosos podem tentar migrar para outros canais, utilizar mensagens fraudulentas ou explorar a confiança das pessoas mesmo quando a identificação do chamador funciona corretamente.
Por isso, a proteção mais consistente combina três elementos: infraestrutura de telecomunicações mais segura, ferramentas adequadas nos dispositivos e comportamento cuidadoso por parte dos usuários.
O consumidor não precisa desconfiar de toda ligação recebida, mas deve evitar tratar o número exibido na tela como prova suficiente de identidade.
PERGUNTAS FREQUENTES (FAQ)
O que é autenticação de chamadas telefônicas?
É um mecanismo técnico utilizado para verificar informações sobre a origem de uma chamada e dificultar a falsificação do número telefônico. Quando há suporte à identificação, o sistema também pode apresentar informações adicionais sobre quem está ligando.
O que muda com a MP 1.396/2026?
A medida estabelece obrigações relacionadas à autenticação, à identificação e ao bloqueio de chamadas e mensagens, além de prever uma base centralizada de dados de numeração. A implementação de diferentes obrigações depende dos prazos e das regras estabelecidos no próprio texto e na regulamentação da Anatel.
Se uma chamada não tiver selo de autenticação, significa que é golpe?
Não. A ausência de um selo não comprova fraude, pois a disponibilidade dos recursos depende da implementação pelas operadoras, da compatibilidade do aparelho e de outros requisitos técnicos. Mesmo assim, chamadas suspeitas merecem atenção.
Uma chamada autenticada garante que o interlocutor é confiável?
Não. A autenticação ajuda a verificar a origem da chamada, mas não garante que todas as solicitações feitas durante a conversa sejam legítimas. Não forneça senhas, códigos de segurança ou informações bancárias por pressão de um interlocutor.
Preciso trocar de celular para receber chamadas autenticadas?
Não necessariamente. Primeiro, verifique a compatibilidade do seu aparelho, a disponibilidade do VoLTE e as condições oferecidas pela operadora. Um smartphone mais recente pode oferecer recursos adicionais, mas não garante sozinho a disponibilidade da autenticação.
As novas regras vão acabar com os golpes por telefone?
Não há garantia de que todos os golpes serão eliminados. As novas medidas podem dificultar determinadas práticas, mas os criminosos também utilizam engenharia social, mensagens fraudulentas e outros canais de comunicação. A proteção depende de medidas técnicas e de hábitos seguros.
Como denunciar uma ligação suspeita?
Você pode consultar os canais oficiais da Anatel e, em casos de suspeita de uso indevido dos mecanismos de autenticação, verificar as orientações do portal Origem Verificada. Se houver prejuízo financeiro ou comprometimento de contas, entre em contato com a instituição envolvida e registre a ocorrência nos canais apropriados.
CONCLUSÃO
As novas regras de autenticação de chamadas representam uma tentativa de tornar as comunicações telefônicas mais confiáveis e dificultar golpes que dependem da falsificação de números.
A mudança é importante, mas sua implementação não acontece integralmente de uma só vez. Parte das obrigações depende de regulamentação, adaptação dos sistemas e prazos específicos.
Enquanto isso, o consumidor pode reduzir os riscos adotando cuidados simples: não compartilhar códigos de segurança, verificar solicitações por canais oficiais e desconfiar de ligações que exigem decisões imediatas.
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